Pular para o conteúdo
comparasmart
Comparar celulares

PARA ENTENDER

512 GB ou 256 GB: como o espaço do celular funciona no dia a dia, com o Moto G86 e o Galaxy A37

Ligue um Galaxy A37 de 256 GB e abra a tela de armazenamento. O número livre não vai ser 256. A Samsung informa 228 GB disponíveis para esta versão. Os outros 28 GB não estão disponíveis para você.

Esse detalhe pequeno é a porta de entrada pra entender armazenamento de celular. O número da caixa é um. O número que você usa é outro. E, entre os dois, entram o cartão de memória, a memória virtual, a gravação em 4K e até o tempo que você pretende ficar com o aparelho.

Neste texto, uso dois celulares como exemplo, cada um numa versão exata: o Motorola Moto G86 5G de 512 GB, verde-escuro, com 8 GB de RAM; e o Samsung Galaxy A37 5G de 256 GB, verde, também com 8 GB de RAM. Eles não estão aqui como candidatos. Estão aqui porque mostram, lado a lado, quase todas as perguntas que o espaço levanta.

O número da caixa e o número da tela

No A37, a conta está feita pela própria Samsung: 256 GB na caixa, 228 GB disponíveis. Sobram cerca de 89% do total. Os 11% restantes não aparecem pra você como espaço livre.

No G86 de 512 GB, quanto fica livre depois do sistema não está confirmado para esta versão. A Motorola informa os 512 GB, mas não o número disponível. Com o aparelho na mão, numa loja ou logo depois de abrir a caixa, vá em armazenamento e veja o número com os próprios olhos.

Por que isso importa? Porque comparar 512 com 256 é comparar a caixa. Comparar o livre com o livre é comparar o que você vai usar. No A37, você já tem o número. No G86, ainda falta.

Por que o número livre é o que conta

Pense no espaço livre como o orçamento do mês. Tudo o que você instala, fotografa, grava e baixa sai dele. Quando ele acaba, não sobra lugar pra coisa nova.

Com 228 GB, o A37 tem um orçamento definido. Com 512 GB, o G86 tem um orçamento maior, só que ainda sem o número exato depois do sistema. O que dá pra afirmar é a proporção da caixa: 512 GB são o dobro de 256 GB.

Uma conta simples ajuda. Se os dados que você vai passar do celular atual somam, digamos, 150 GB, os 228 GB do A37 deixam uma folga de 78 GB. É o espaço pra crescer daqui pra frente. Se somam 240 GB, os 228 GB não dão conta nem do que você já tem. Faça essa conta com o seu número de hoje, não com o da caixa.

Onde moram os aplicativos

Aqui está uma regra que muda a leitura do espaço do G86. A Motorola explica que o cartão microSD do G86 serve pra mídia e arquivos, e que ele não armazena aplicativos.

Na prática, isso quer dizer que todo aplicativo que você instalar no G86 fica nos 512 GB internos. O cartão alivia a parte das fotos, músicas e documentos, mas não a dos aplicativos. Pra quem usa muitos aplicativos grandes, o que conta é o interno.

No A37, a situação é mais simples de descrever: se ele aceita cartão de memória não está confirmado para este código. Então, pra efeito de planejamento, conte só com os 228 GB internos pra tudo, aplicativos e arquivos. Se aparecer confirmação de cartão, ótimo; mas não compre contando com ele.

O cartão, regra por regra

No G86, o cartão é de verdade uma peça a mais no armazenamento. As regras da Motorola são estas:

  • Tamanho máximo: cartão microSD de até 1 TB.
  • O que vai nele: mídia (fotos, músicas, gravações) e outros arquivos.
  • O que não vai: aplicativos.
  • Uso entre aparelhos: a Motorola trata o cartão como portátil, ou seja, pensado pra levar arquivos de um aparelho pro outro.
  • Na hora de tirar: ejete o cartão pelo sistema antes de remover.

O tamanho do cartão também pede conta. Um cartão de 1 TB, sozinho, tem perto do dobro dos 512 GB internos na caixa. Somando os dois, o G86 chega perto de 1,5 TB de espaço total anunciado, com a ressalva de que os aplicativos ficam presos ao interno.

Se precisar comprar o cartão separadamente, inclua esse custo na conta do aparelho.

Duas linhas e cartão ao mesmo tempo

Antes de contar com cartão, vale ver onde ele entra na bandeja. No G86, a Motorola descreve uma entrada para um nano-SIM e uma segunda entrada para o cartão. O eSIM (o chip digital, que não é peça física) completa o quadro. Com isso, dá pra ter duas linhas e o cartão de memória ao mesmo tempo: uma linha no chip físico, outra no eSIM.

No A37, a Samsung descreve três combinações: dois chips físicos, um físico e um eSIM, ou dois eSIM. Como o cartão não está confirmado, também não está confirmado se ele dividiria lugar com o segundo chip físico. Se você usa duas linhas e quer cartão, essa é uma pergunta pra fazer antes da compra.

Repare que aqui os dois resolvem prioridades diferentes. O A37 é o mais flexível com chips. O G86 é o que confirma o cartão sem abrir mão de duas linhas, desde que uma delas seja eSIM.

A memória virtual também ocupa lugar

Os anúncios adoram somar números. O G86 aparece como "24 GB", soma dos 8 GB de RAM física com o RAM Boost. O A37 aparece com 8 GB e mais até 8 GB de RAM Plus.

No G86, a Motorola explica que o RAM Boost usa parte do armazenamento e que pode ser desligado. Vale lembrar dele se o espaço apertar.

No A37, a Samsung diz que o RAM Plus não altera a RAM física. Se ele usa espaço do armazenamento, e quanto, não está confirmado.

O que vale guardar: os 8 GB de RAM física são iguais nos dois. O número somado do anúncio mexe no armazenamento (no caso do G86, confirmado) e não vira RAM de verdade.

4K e câmera lenta: o teste do minuto

Os dois gravam em até 4K a 30 quadros por segundo na câmera de trás. O G86 grava em 4K também na câmera da frente, e em Full HD a 60 quadros atrás. O A37 tem câmera lenta em HD a 240 quadros por segundo.

Quanto espaço cada minuto ocupa não está confirmado por nenhuma das duas marcas.

Grave um minuto no modo que você mais usa. Veja o tamanho do arquivo na galeria ou no gerenciador de arquivos. Depois, coloque os dois números na mesma unidade antes de dividir. Se o arquivo aparecer em MB, passe o espaço livre para MB também. No A37, a conta fica assim: 228 GB são 228.000 MB; divida esse número pelo tamanho, em MB, de um minuto, e você tem quantos minutos cabem, se não guardasse mais nada. Antes, confira a unidade que o próprio aparelho mostra para o espaço livre e para o arquivo, e use a mesma nos dois. No G86, faça o mesmo com o espaço livre que aparecer na tela, e lembre que, ali, os arquivos de mídia podem ser guardados no cartão.

Faça o teste também na câmera lenta e na câmera da frente, caso use. Modo diferente, arquivo diferente.

Trocar de aparelho

O espaço do celular novo precisa caber o que vem do antigo. No A37, a Samsung oferece o Smart Switch, que transfere dados do aparelho anterior por cabo ou sem fio. Ela avisa que o tipo de dado transferido varia conforme o aparelho de origem.

Antes de migrar, meça só o que vai passar: fotos, gravações, conversas e arquivos que você quer levar. O total ocupado no aparelho antigo inclui o sistema dele e coisas que talvez nem sejam transferidas, então ele não serve pra essa conta. Se o que vai passar chegar perto de 228 GB, não sobra espaço pra crescer no A37, e vai ser preciso escolher o que fica pra trás ou guardar uma parte em outro lugar.

No G86, o cartão entra como ponte. Como a Motorola trata o cartão como portátil, ele pode levar fotos e músicas de um aparelho pro outro. Lembre de ejetar antes de tirar.

Quanto custa o espaço a mais

Neste ponto, a pergunta sobre armazenamento vira pergunta sobre preço. E a regra mais importante é esta: quando você compara um celular de 512 GB com um de 256 GB, a diferença de preço inclui a diferença de armazenamento. Não é só marca ou acabamento.

Em 18 de outubro de 2026, comparando o preço do G86 de 512 GB (o mesmo à vista ou em 12 vezes sem juros) com o do A37 de 256 GB no Pix, o Motorola custava cerca de 34% a mais. Comparando os dois no cartão parcelado sem juros, a diferença caía pra cerca de 21%.

Agora, a conta por gigabyte, com esses mesmos preços. Na comparação com o Pix do A37, cada gigabyte da caixa do G86 saía cerca de 33% mais barato. Na comparação no parcelado, cerca de 40% mais barato. É o dobro de espaço por um preço que não chega ao dobro.

Mas preço por gigabyte não é a história inteira. Os dois aparelhos diferem também em tela, em proteção contra água, em bateria, em câmeras e, principalmente, em prazo de atualização. O espaço é uma das coisas que a diferença compra.

Preço muda de um dia pro outro. Refaça a conta no dia da compra, com a mesma condição de pagamento dos dois lados.

Espaço e calendário

Tem uma conta entre espaço e tempo que vale fazer. Quanto mais tempo você fica com o mesmo celular, mais tempo ele tem pra encher.

Aqui os dois exemplos puxam para lados opostos. O A37 tem segurança garantida pela Samsung até 31 de março de 2032. De outubro de 2026, são 65 meses. O G86 tem segurança garantida pela Motorola até junho de 2028, com pelo menos uma atualização a cada dois meses. Do mesmo outubro, são 20 meses. Quantas versões de Android o G86 ainda recebe no total, no Brasil, não está confirmado; a Motorola lista o Android 16 como a próxima.

Ou seja: o aparelho com menos espaço é o que promete mais tempo de segurança, e o com mais espaço é o que promete menos. Pra usar até março de 2032, os 228 GB do A37 precisam dar conta de mais de cinco anos. Pra usar até junho de 2028, os 512 GB do G86 têm cerca de 20 meses pra encher, que é bem menos pressão.

Pra mim, essa é a pergunta que resolve a dúvida de espaço: não é "quantos gigas eu uso hoje", é "quantos gigas eu vou ter usado no dia em que trocar de celular".

Situação por situação

  • Você tira muita foto e não apaga quase nada. O espaço livre é o seu limite real. No A37, 228 GB, sem cartão confirmado. No G86, 512 GB na caixa e cartão de até 1 TB pras fotos.
  • Você grava muito em 4K. Faça o teste do minuto antes de decidir. Os dois gravam em 4K atrás; o G86 também na frente.
  • Você usa muitos aplicativos grandes. No G86, eles ficam no interno, mesmo com cartão. Os 512 GB internos é que contam. No A37, tudo fica nos 228 GB.
  • Você usa duas linhas e quer cartão. O G86 confirma as duas linhas (chip físico e eSIM) com cartão. No A37, isso não está confirmado.
  • Você precisa de dois chips físicos. O A37 aceita. O G86 tem um chip físico e o eSIM.
  • Você quer levar arquivos de um aparelho pro outro. O cartão do G86 é pensado como portátil.
  • Você pretende ficar muitos anos com o aparelho. Faça a conta do espaço pensando no ano em que vai trocar, e compare com os prazos de segurança: março de 2032 no A37, junho de 2028 no G86.
  • O espaço apertou. No G86, o RAM Boost usa parte do armazenamento e pode ser desligado. No A37, se o RAM Plus ocupa espaço não está confirmado.

Os dois lado a lado

  • Armazenamento na caixa: G86, 512 GB; A37, 256 GB.
  • Disponível depois do sistema: G86, não confirmado; A37, 228 GB (cerca de 89%).
  • Cartão de memória: G86, microSD até 1 TB, só para arquivos; A37, não confirmado.
  • Aplicativos no cartão: G86, não; A37, não se aplica, cartão não confirmado.
  • RAM física: G86, 8 GB; A37, 8 GB.
  • Memória virtual: G86, RAM Boost, usa parte do armazenamento, pode desligar; A37, até 8 GB de RAM Plus; uso do armazenamento não confirmado.
  • Chips: G86, nano-SIM e eSIM, com entrada separada para o cartão; A37, dois físicos, físico e eSIM, ou dois eSIM.
  • Modos de gravação confirmados: G86, 4K a 30 quadros, atrás e na frente; A37, 4K a 30 quadros; câmera lenta HD a 240 quadros.
  • Levar arquivos entre aparelhos: G86, cartão portátil, para mídia e arquivos; A37, Smart Switch, do aparelho antigo para o A37, por cabo ou sem fio.
  • Segurança até: G86, junho de 2028; A37, 31 de março de 2032.

Meu conselho: antes de olhar o número da caixa, faça três contas com o celular que você tem hoje. Primeiro, quanto ocupam os dados que vão passar pro próximo (fotos, gravações, conversas, arquivos). Segundo, quanto isso cresce por ano: divida o total desses dados pelos anos que você levou pra juntar. Terceiro, multiplique esse crescimento pelos anos que pretende ficar com o próximo aparelho, some aos dados que vão passar e acrescente uma folga. Esse é o espaço livre que você precisa, e ele vale mais que qualquer "512" ou "256" no anúncio.

Equipe de celulares intermediários · ComparaSmart

Dois aparelhos para ver isso na prática