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PARA ENTENDER

Tela de celular: AMOLED ou IPS, 90 ou 120 Hz, e o que os nits querem dizer

120 é maior que 90, então a tela de 120 Hz parece melhor. Só que o número de Hz mede uma coisa só, e a tela é feita de várias. O Galaxy A17 4G e o Moto G35 mostram bem isso: um tem AMOLED de 90 Hz, o outro tem IPS de 120 Hz. Cada tecnologia tem um ponto forte diferente, e o anúncio costuma mostrar só o número que favorece o próprio aparelho.

Este texto explica o que cada termo da tela quer dizer, faz as contas que o anúncio não faz e termina com a pergunta que importa: o que você mais faz com o celular na mão.

Dois jeitos de fazer luz

IPS LCD. LCD é a tela de cristal líquido, e IPS é um tipo de LCD. A Samsung explica que o LCD usa uma luz de fundo como fonte de luz, e que cristais líquidos e filtros de cor controlam o que sai dela. Essa luz de fundo fica sempre acesa. É o tipo de tela do Moto G35.

AMOLED. Aqui a conta muda. No OLED, segundo a Samsung, cada pixel emite luz própria. Não existe luz de fundo, e a tela acende só os pixels necessários. O Galaxy A17 4G usa uma tela Super AMOLED, que é da família OLED.

Essa diferença de construção explica quase tudo o que vem depois.

Preto e contraste

Contraste é a relação entre o nível mais claro e o nível mais escuro que a tela consegue mostrar.

No OLED, o preto vem do pixel que não acende. A Samsung fala em um "preto real" abaixo de 0,0005 nit e em contraste perto do infinito. Esses números valem para a tecnologia OLED da marca, em geral. Para o A17 4G, a Samsung não informa contraste nem nível de preto.

No LCD, a luz de fundo está sempre acesa, e o escuro depende dos cristais e filtros que ficam na frente dela. A Motorola não informa o contraste do G35.

A Samsung diz mais uma coisa: como o OLED acende só os pixels necessários, o consumo de energia cai bastante em imagens escuras. É isso que dá sentido ao modo escuro numa tela AMOLED. No LCD, a luz de fundo continua acesa mesmo com fundo escuro. Quanto isso rende de bateria no A17 4G ou no G35, as marcas não informam.

O que os Hz medem

Hz é uma medida de frequência. Uma tela de 90 Hz pode atualizar a imagem até 90 vezes por segundo. As contas mostram o tamanho de cada salto:

  • 60 Hz: uma atualização a cada 16,7 milésimos de segundo.
  • 90 Hz: uma a cada 11,1 milésimos. São 50% mais atualizações que os 60 Hz.
  • 120 Hz: uma a cada 8,3 milésimos. São 33% mais que os 90 Hz.

Repare numa coisa. De 60 pra 90 Hz são 30 atualizações a mais por segundo, e de 90 pra 120 Hz também são 30. Mas o intervalo entre uma atualização e outra encolhe 5,6 milésimos no primeiro salto e só 2,8 no segundo. Em tempo, o segundo salto vale metade do primeiro.

Em dois segundos, a tela do A17 chega a 180 atualizações e a do G35 a 240. São até 60 atualizações a mais no Motorola, se os dois operarem na taxa máxima.

Hz não é medida de cor, de contraste, de brilho nem de nitidez. Cada uma dessas coisas tem número próprio, e o número de Hz não diz nada sobre elas.

Atualização da tela não é imagem nova

O Google, que faz o Android, separa duas coisas: a taxa de atualização da tela e a taxa de quadros do aplicativo, que é quantas imagens o aplicativo produz por segundo. Ele diz que cabe ao aplicativo decidir o que fazer quando as duas não batem.

O Google também avisa que o sistema pesa vários fatores na hora de escolher a taxa da tela, e que não há garantia de que um aplicativo receba a taxa que pediu. Mesmo num aparelho que suporta aquela taxa, há casos em que a tela não muda. Um exemplo que ele dá é o modo de economia de bateria, que pode limitar a taxa da tela pra poupar carga.

Então, 120 Hz é a capacidade máxima da tela do G35, e 90 Hz é a do A17. Quanto disso aparece em cada uso depende do aplicativo e do sistema.

Jogos

Em jogo, a regra do Android mudou. No Android 15, o Google define 60 Hz como taxa padrão pra jogos, pra economizar energia. Pra passar disso, o jogo precisa pedir uma taxa maior. E mesmo pedindo, o sistema pode segurar a tela em 60 Hz por economia de energia ou por aquecimento.

O Google explica o motivo: taxa alta deixa a imagem mais suave, mas gasta mais energia e gera mais calor. Rodar o tempo todo em 120 Hz, diz ele, pode esquentar o aparelho e gastar a bateria rápido.

O A17 4G foi lançado com Android 15. O G35 foi lançado com Android 14. O processador do A17 é o Helio G99; o do G35 coral, a Motorola não confirma pra esta versão. Quais jogos pedem taxa maior em cada aparelho, e quantas imagens por segundo eles alcançam ali, as marcas não informam. Pra quem compra pensando em jogo, o número de Hz da caixa é o teto, não a promessa.

Rolagem e animação

O Android 15 trouxe um recurso chamado taxa de atualização adaptativa. Com ele, a taxa da tela acompanha o ritmo do conteúdo. O Google descreve assim:

  • a maior parte das telas de aplicativo fica, por padrão, numa taxa "normal", em geral perto de 60 Hz;
  • animações com movimento ou mudança de tamanho ganham taxa maior automaticamente;
  • depois de um toque, a taxa fica alta por um tempo;
  • numa rolagem rápida, jogada com o dedo, a taxa cai aos poucos conforme a rolagem desacelera.

O motivo, de novo, é energia: pra uma animação pequena, como uma barra de progresso, a taxa máxima gasta à toa. O recurso exige uma atualização do Android 15 e suporte do próprio aparelho. Se o A17 4G tem esse recurso, a Samsung não informa. O G35 foi lançado com Android 14, e a Motorola promete ao menos uma atualização de sistema, sem dizer se ela traz isso.

Vídeo

Vídeo é o caso em que as contas mais aparecem, porque ele chega pronto, com um número fixo de imagens por segundo. O Google diz que, no vídeo, a taxa é a do arquivo original. Quando a tela não tem uma taxa que combine, o sistema precisa fazer um encaixe das imagens. O exemplo dele: com a tela em 120 Hz, um conteúdo de 60 e outro de 24 imagens por segundo rodam juntos sem encaixe.

Agora as contas, imagem por atualização:

  • Vídeo de 30: 3 atualizações por imagem em 90 Hz e 4 em 120 Hz. Fecha nas duas telas.
  • Vídeo de 60: 2 por imagem em 120 Hz. Em 90 Hz dá 1,5, que não fecha.
  • Vídeo de 24: 5 por imagem em 120 Hz. Em 90 Hz dá 3,75, que também não fecha.

Se o A17 muda a taxa da tela pra acompanhar cada vídeo, a Samsung não informa. No G35, a conta dos 120 Hz fecha com 24, 30 e 60. No A17, só com 30, e o resto depende do sistema.

Nits, o brilho do anúncio

Nit é a unidade de brilho: quanto de luz sai de cada pedaço da tela. É ele que conta quando você usa o celular na rua, no ponto de ônibus, no carro com sol batendo.

A Motorola anuncia até 1.000 nits pro G35, sem dizer em que condição mediu nem por quanto tempo a tela sustenta esse valor. Medição do brilho do G35 coral, a marca não publica. A Samsung não põe um número de brilho na página do A17 4G. Então, no sol, nenhum dos dois tem resultado confirmado.

O A17 tem sensor de luz. No G35 coral, o sensor de luz a Motorola não confirma pra esta versão. Na rua, se o aparelho oferecer ajuste automático de brilho, experimente antes de concluir que a tela é fraca.

Resolução e área: as contas

Os dois são anunciados como Full HD+ em 6,7 polegadas, mas só a Samsung dá o número completo.

  • Galaxy A17 4G: 1080 × 2340 pontos. São 2.527.200 pixels. Pela conta da diagonal, dá perto de 385 pontos por polegada.
  • Moto G35: pra versão vendida aqui, a Motorola diz só Full HD+ em 6,7 polegadas, sem o número de pontos.

Sem esse número, não dá pra concluir a comparação de densidade entre os dois.

A área da tela também tem conta. Polegada de tela mede a diagonal, e a diagonal sozinha não diz a área. A tela do A17 tem formato de 19,5 por 9: pra cada 19,5 partes de altura, 9 de largura. Com 6,7 polegadas de diagonal, isso dá cerca de 15,5 cm de altura por 7,1 cm de largura, perto de 110 cm². Dividindo os pixels pela área, são perto de 23 mil pixels em cada centímetro quadrado. O formato da tela do G35 vendido aqui, a Motorola não informa, então a área dele fica sem conta.

O que as marcas não informam

Vale juntar num lugar só o que falta, porque é aqui que o anúncio fica mudo:

  • contraste e nível de preto do A17 4G e do G35;
  • profundidade de cor e formatos de vídeo com mais faixa entre claro e escuro, nos dois, pra estas versões;
  • brilho máximo do A17 4G;
  • número de pontos e formato da tela do G35 vendido aqui;
  • como cada um ajusta a taxa da tela em vídeo e em jogo.

Nada disso quer dizer que o recurso falta. Quer dizer que a marca não publicou o número.

O vidro por cima

Não é a tela, mas fica por cima dela. O vidro de cima é a proteção da tela contra risco e pancada. O A17 4G usa vidro da linha Gorilla Glass Victus (a Samsung fala em Victus numa página e em Victus+ em outra). O G35 usa Gorilla Glass 3. São linhas diferentes da Corning, a fabricante. Se você for pôr película, escolha uma feita pro modelo exato.

Toque e respingo

O G35 tem um recurso de tela que o A17 não anuncia: o Smart Water Touch. É o toque que continua funcionando com respingos na tela. Isso é sobre o toque, não sobre proteção do aparelho. A Motorola não informa certificação contra água pro G35 vendido aqui. Se ele molhar, siga o manual que vem na caixa.

O A17 4G tem IP54, contra poeira e respingo, testado pela Samsung com água doce, 10 litros por minuto, por cinco minutos, sem imersão. Nos dois, dano por líquido fica fora da garantia de 12 meses.

Na prática: o G35 tem o toque que funciona com respingos; o A17 tem a proteção confirmada contra respingo. São coisas diferentes. Nenhum dos dois é pra piscina.

Limpar a tela sem estragar

Vale seguir a orientação da marca, porque a tela é a parte do celular que você mais toca.

  • Samsung (A17 4G): desligue, tire a capa e use pano de microfibra sem fiapo. Se precisar, umedeça só a borda do pano com água destilada, longe das aberturas. Pra sujeira difícil, um pouco de álcool isopropílico ou etílico 70% no pano. Nada de borrifar direto, de ar comprimido, de água sanitária ou de mergulhar. A Samsung avisa que o uso frequente de álcool pode prejudicar a resistência à água.
  • Motorola (G35): siga o manual que vem na caixa.

Ajustes que valem

  • Brilho na rua. Se o aparelho oferecer ajuste automático de brilho, experimente.
  • Modo escuro, se você gosta. No AMOLED do A17, fundo preto é pixel apagado, e a Samsung diz que imagem escura gasta menos no OLED. No IPS do G35, o fundo escuro continua com a luz de fundo acesa.
  • Taxa de atualização. Se o aparelho deixar escolher, a maior taxa dá mais atualizações por segundo, e o Google lembra que taxa alta gasta mais energia. A marca não informa quanto cada taxa pesa na bateria de cada aparelho.
  • Economia de bateria. Com ela ligada, o Android pode limitar a taxa da tela. Se a rolagem parecer diferente, confira se o modo está ativo.
  • Teste antes de levar. Role um texto, abra uma foto escura e veja a tela no brilho máximo. É nesses três testes que as diferenças deste texto aparecem.

Situação por situação

  • Vendo série no escuro: é onde a construção pesa. No A17, o preto é pixel que não acende. No G35, a luz de fundo fica acesa.
  • Rolando rede social: a tela do G35 vai até 120 Hz, e a do A17 até 90 Hz. Quanto disso aparece depende do aplicativo e do sistema.
  • Vendo vídeo de 24 ou 60 imagens por segundo: a conta fecha nos 120 Hz do G35; nos 90 Hz do A17, depende de como o sistema encaixa as imagens.
  • Jogando: no Android 15, jogo começa em 60 Hz e precisa pedir mais. Quantas imagens cada jogo alcança em cada aparelho, as marcas não informam.
  • Na rua, no sol: conta o brilho. A Samsung não informa o do A17 4G, e o do G35 é só anunciado. Aqui não dá pra apontar um vencedor seguro.
  • Com respingos na tela: o G35 tem o toque que funciona com respingos. O A17 tem a proteção IP54. São coisas diferentes.

Os dois frente a frente

| | Galaxy A17 4G | Moto G35 | |---|---|---| | Tipo | Super AMOLED | IPS LCD | | Tamanho | 6,7" | 6,7" | | Resolução | 1080 × 2340 | Full HD+ (pontos não informados) | | Densidade | perto de 385 ppi (conta) | não informada | | Taxa máxima | 90 Hz | 120 Hz | | Brilho anunciado | não informado | até 1.000 nits | | Vidro | linha Gorilla Glass Victus | Gorilla Glass 3 | | Toque com respingos | não anunciado | Smart Water Touch |

Os dois têm tela de 6,7 polegadas. A diferença que dá pra afirmar está no tipo de tela, na taxa máxima e no vidro. O A17 tem o preto do pixel apagado. O G35 tem a taxa máxima maior e o toque que funciona com respingos.

Hz é quantas vezes a tela atualiza; AMOLED é o preto que não acende. O que você mais faz na tela diz qual dos dois pesa mais.

Equipe de celulares de entrada · ComparaSmart

Dois aparelhos para ver isso na prática